Sobre Respeito, Fé, Datena, e estar diante da dor dos outros*

 Datena pedindo IBAGENS

Sei lá, dia desses (acho que foi anteontem), a ‘ateusfera’ (ficou bacana o nome) do meu Brasil deve ter dado a luz a trigêmeos.

O que aconteceu: Datena, naquele programa nada sensacionalista, começou a culpar a criminalidade pela falta de D’us no coração da galera. Bom, não vi o programa, só vi uma parte dele quando cheguei do trabalho e me deparei com a tv ligada no programa do cidadão, como meu pai faz diariamente. Mas pelo visto nosso querido personagem relacionou a criminalidade, roubos, e toda espécie de malcaratice do mundo a ateus.

Ok, não foi a declaração mais feliz do mundo, pegou coisas completamente desconexas e distorcidas pra querer justificar um argumento…. Mas daí pra xingar muito no twitter? Pra criar uma tag #CALABOCADATENA? PERAÍ!

1) Não conheço o cara como pessoa, mas como comunicador, ou sei lá que raio utilizo pra identificar, o Datena fala uns absurdos diariamente, nos mais diversos assuntos, e com uma intenção simples - criar polêmica, para assim conquistar audiência - SIM, CAMBADA!!!  VOCÊS FIZERAM A CRIANÇA FELIZ! O que o cara quer é CRIAR POLÊMICA! Aí vocês vão dar ouvidos pro cara? Tem algo de estranho nisso aí.

2) Eu sou cristão e já li de ateus os mais diversos absurdos sobre cristãos (uma espécie invertida do comunista-comedor-de-criancinhas). Rebaixando os cristãos a crianças imaturas pelo simples fato de crer em uma divindade, culpar os cristãos pela miséria, fome, guerra e destruição pelo mundo afora, e mais um monte de acusação que só uma mente muito criativa pode fazer. E mesmo assim não fico fazendo charminho, chororô e xabuzinho no twitter. São opiniões, por mais absurdas que sejam. O que me resta é chegar e mostrar que as coisas não são como elas imaginam. De forma educada e respeitosa.

3) Como citei no item 2, agora vocês sabem o que é ouvir/ler absurdos sobre si né? Tão vendo que pimenta nos olhos dos outros é refresco né? Espero que esse episódio infeliz e imbecil do Datena sirva de algo se uma parte relevante dos ateus [que levam seu ateísmo praticamente como religião] aprender algo muito legal: RESPEITO.

4) Quanto a empurração de culpa pela desgraça no mundo: O problema não é ideologia, escolha de time, religião, nacionalidade ou orientação sexual. O problema é simples: Ser humano é um bicho infeliz mesmo, e quando não se é educado, conscientizado e coisa e tal, tende pra um egoísmo babaca.

A proposta do cristianismo é sim o amor a D’us sobre todas as coisas (ou seja, esse materialismo cego e imbecil pregado hoje em dia é bem distante do que o Cristo diz), e consequentemente, amar ao próximo como a si mesmo. Se você, amigo meu,  não está vendo isso em determinadas pessoas, o problema não é o cristianismo, porque estas pessoas provavelmente estão bem distantes dele (seja com uma vida sem compromisso, ou uma interpretação completamente distorcida das Escrituras, ou um estilo de vida puramente mal caráter). Ou seja, a solução tá bem longe de empurrar ateísmo guela abaixo dos outros.

Mais um post-desabafo porque estava cada vez mais de cara com um monte de gente inteligente, bacana, simpática, agradável… perdendo tempo com bobagens sensacionalistas que só tem foco em audiência e em vender tecpix.

*Mal aê Susan Sontag, peguei emprestado o título do livro :/

Pat Robertson, Zilda Arns e a Idolatria?

Pat

Bom, acho que todos já sabem do que aconteceu no Haiti terça feira, um tremor que atingiu o país e causou um desastre incalculável. Segundo o presidente do Haiti, cerca de 7000 foram enterrados, até a noite desta quinta-feira.  Algo trágico para um país com um povo já ferido pela miséria e pelas guerras e conflitos pelo país.

E logo após este ocorrido, Pat Robertson, líder religioso norte americano, ex-candidato à presidência da república dos EUA e idealizador do clube 700, argumenta que o Haiti foi amaldiçoado por ter feito um pacto com o diabo para conseguir a independência da França. Esta não é a primeira declaração doentia, e sem o menor teor cristão (e sem o menor senso do ridículo) deste sujeito. Em 2005 ele sugeriu que o presidente Venezuelano Hugo Chávez fosse assassinado. Sim, coisa fina, exalando o mais puro amor cristão não é?

E enquanto tele-evangelistas divulgam supostas pragas de origem divina, em um momento delicado e triste para a história de um país inteiro, ao invés de ajudar (e incentivar seus seguidores a ajudarem) um povo que quadruplicou seu sofrimento, pessoas estavam lá para fazer algo por lá. Uma delas, Zilda Arns, idealizadora da Pastoral da Criança, estava no Haiti em missão humanitária, preparando uma palestra sobre a organização na Conferência dos Religiosos do Caribe. E foi vítima do terremoto que atingiu o país.

Zilda Arns mostrou que é possível sim ser Igreja, e conciliar a Palavra e ações. Mostrou o que é agir “para fora” sem as baboseiras liberais que se afloram de uma maneira cada vez mais bizarra. Mostrou que não é preciso vender bíblias de prosperidade financeira por 900 Reais. Que um jatinho particular não é essencial para fazer a Obra de Deus.

Ah sim, falta a parte de vir gente falando que ela é da ‘maléfica malvada mafiosa igreja católica apostólica romana’, que eles são idólatras, etc. Ok, antes de vir com estas coisas, só me responda qual é a diferença da idolatria de imagens para a idolatria ao dinheiro e ao poder e às coisas materiais, praticada diariamente por vários líderes religiosos no mundo. A idolatria ao poder, ao ego, o que causa a indiferença ao sofrimento do próximo, o distanciamento da comunhão com Deus, e pra completar, usar o nome dEle para proferir tais idiotices em rede mundial.

Lembre-se que não vai existir igreja perfeita por aqui, Igreja é formada por pessoas, e desculpa aí, pessoas não são perfeitas. E já dizia Paulo, vede todas as coisas e retém o que é bom! Se limitar ao seu mundinho e à sua plaquinha de igreja fará você ter muitas surpresas no futuro.

Enfim, como disse a Bráulia Ribeiro no seu twitter: “Que os não cristãos hoje julguem a fé cristã não pelo que diz Pat Robertson, mas pelo que viveu Zilda Arns.”

Bom, este foi meio que uma forma q encontrei pra mostrar que discordo destas maluquices desse cara que, infelizmente, carregando o título de ‘pastor’, acaba falando em nome de um monte de gente que discorda radicalmente de tais besteiras.

Update

Discurso  da Zilda Arns no Haiti está disponível aqui (em espanhol) 

Cordel e Natal

Ok, Digamos que eu meio que “sumi” por uns meses.

Aconteceram n motivos: faculdade, trabalho, projetos pessoais, etc. Já estava há um bom tempo tentando voltar para o blog para postar algumas coisas, mas acho que agora tomo vergonha :p

Quem me conhece, sabe que tenho interesse muito grande pelo estilão que existe na literatura de cordel, tanto que há um desenho assim no cabeçalho deste blog. Isso juntando com a história do natal, me faz ainda postar este vídeo fora de época:

Sobre o islã, ações e cristianismo (and sometimes this includes me)


Hoje li um trecho de uma matéria que foi publicada na revista Época, (via Pavablog) tratando do crescimento do Islã em várias periferias do Brasil. E algo me chamou muito a atenção. Não os ‘novos nomes’ ou um tal ‘medo de terrorismo’ ou coisa do tipo. E sim, como uma religião, que em tese não é proselitista, cresceu desta forma. E certas coisas de fato me chamaram a atenção:

1)?Homens como eles têm divulgado o islã nas periferias do país, especialmente em São Paulo, como instrumento de transformação política. E preparam-se para levar a mensagem do profeta Maomé aos presos nas cadeias. “ - Ainda que eu não veja como uma maneira muito legal misturar política e crença, é de importância ENORME para a Igreja ter uma relevância na sociedade.

Muito se prega sobre o amor, sobre atitudes, sobre adoração e música, mas pouco se fala e pouco, muito pouco se pratica no que se refere a amor ao próximo, no que se refere a igreja ter participação social na vida da comunidade onde ela está inserida.

2)“ É nossa postura que divulga a religião. O islã cresce pela consciência e pelo exemplo.? - Ação e testemunho, isso é simplesmente a continuação do outro item. Muito se prega, e muito tem de ser feito também!

Um exemplo: uma frase de Nietzsche que deixa muito cristão indignado e muito chAteu pulando de alegria é: “Deus está morto?. Os cristãos querem argumentar, falar, e até as vezes, ofender quem fala uma frase deste tipo. Mas e mostrar com ações? Cristãos que falam que o Espírito Santo está neles, mas não refletem em NADA o amor de Cristo para com mundo. Pelo contrário: celebram mortes, ignoram os miseráveis e querem mostrar uma tal superioridade espiritual.

Ações não salvam ninguém, mas refletem o Espírito Santo em nossas vidas. E também: prega sem utilizar as palavras, que muitas vezes são banidas de determinados locais. Muito se fala de intimidade, unção, adoração, geração que vai impactar, dentre outras coisas que são repetidas como mantras. Porém esquecem de coisas que já deveriam estar encucadas na cabeça de cada crente!

Cumprindo o Ide numa bolha?


Estes dias na Escola Dominical, estávamos discutindo sobre a atitude e comportamento dos cristãos fora da igreja (edifício). E eis que um garoto, jogou a idéia de que é inconcebível a atitude de um cristão ouvir música ’secular’, argumentando que nós somos “separados do mundo”.

Não irei discutir agora se a propagação desta idéia é uma estratégia de marketing maléfica das gravadoras “gospel” e blá blá blá. E sim discutir como esta mentalidade de querer se isolar (principalmente na cultura) do resto do mundo prejudica (e muito) a Igreja e a sua compreensão da sociedade e do mundo.

Manifestações artísticas refletem a visão do artista diante da vida, do mundo, enfim, das coisas que estão ao seu redor. Músicas que mostram o desespero do ser humano diante das dificuldades, que o faz até tentar encontrar solução por meio da idolatria, que mostram as mancadas que a igreja fez (sim senhor,  não se esqueça que igreja é feita por pessoas, que erram demais, e às vezes acaba tendo na frente gente corrupta). Através de algumas letras, podemos ver como nós somos visto do lado de fora, podemos entender certos aspectos culturais de um povo, e assim vai.

E esse isolamento ainda acaba empobrecendo tecnicamente e culturalmente as manifestações artísticas criadas por cristãos, já que elas são criadas  dentro de um ambiente isolado de tudo e todos (ambiente também chamado de bolha religiosa).

Infelizmente, boa parte dos cristãos entende música como algo elevado, superior a outras coisas, principalmente pelo fato de mexer com o emocional -  o que acaba sendo confundido com o espiritual. Ou seja: é permitido assistir eventos esportivos ’seculares’, estudar em escolas ’seculares’, ir a palestras profissionais ’seculares’… Mas quando a música ou outras manifestações que lidam com os sentidos… ela tem que ser passada por esta estranha peneira.

 Principalmente, na situação atual, é completamente sem lógica essa separação festa desta maneira. Porque não podemos  ouvir bandas ’seculares’, mas  podemos ouvir E cantar cópias descaradas de bandas ’seculares’? Porque não podemos cantar musicas ’seculares’ tradicionais dos EUA, mas podemos cantar hinos com a mesma melodia?

Cristo disse: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” (Jo: 17:15) - Não compartilhamos (pelo menos não devíamos compartilhar) de valores morais da sociedade, movida principalmente pelo egoísmo e pelo individualismo. Porém nós estamos vivendo neste mundo. O que devemos é nos fortalecer nEle, e procurar não se influenciar negativamente com o meio externo. Não adiantará NADA se preocupar em evangelizar o mundo todo se o cidadão se tranca numa bolha religiosa. Não adiantará em nada, não vai andar!

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