Era um dia nublado de 19 de Janeiro de 2008, e resolvo consertar o visor do meu telefone (sim, aquele lá que quebrou), para depois me arrumar para a missão do dia: registrar a estréia da Burrinha no campeonato paulista A-2.
Coloco minha camisa do Partizan, arrumo minhas coisas e vou para o ponto de ônibus. Garoa leve, nada que possa atrapalhar. Até que ela aumenta. E aumenta. E começa a prometer uma tempestade das brabas. Fico uma hora no ponto de ônibus, esperando o bendito e pensando se desisto ou não de ir. Quando desisto e me preparo para voltar pra casa, o ônibus aparece, o que me fez correr de volta para o ponto.
Trajeto tranquilo, chego no Ulrico Mursa uns 20 minutos atrasado, onde a Portuguesa Santista estava jogando contra o XV de Jaú.

A chuva continuava. Não como a que estava prometendo, era uma chuva bem tÃmida. Ao contrário da torcida local, um tanto quanto animada, e os que estavam atrás do goleiro do time visitante, muito educados e de uma cortesia indescritÃvel, principalmente quando a mãe do atleta era citada.
Obviamente o Juiz não foi esquecido. Sua brandeza ao apitar e ao reagir as faltas fez com que os torcedores gritassem nomes impúblicáveis neste blog.
Escanteio pra lá, falta pra cá, lances dignos de luta greco-romana ali, xingamentos ao goleiro aqui, e gol! 1 a zero burrinha, com um gol de caconde, que foi apelidado por um torcedor de Vagnernov, possivelmente se referindo ao Vagner Love, já que Caconde era um tanto quanto parecido com o astro do CSKA.
Final de primeiro tempo, o som do estádio tocando Catedral (sim, aquela musica que Tanita Tikaram, Renato Russo, Zélia Duncan e Leandro já tocaram), na versão da Zélia, música totalmente ‘tuuudo a ver’ com a partida, não? E sim, presenciei o gandula do jogo falando que ele recebe QUARENTA REAIS por partida. Levando em conta jogo + intervalo… 20 reais a hora!!! Você acompanha o jogo, se diverte com a torcida, tem contato com tudo isso e ainda ganha! Acho que vou mudar minha pós para um MBA em Gestão de Reposição Moderna Esportiva de Bolas, será que existe?
E começa o segundo tempo, com campo totalmente encharcado, laterais escorregando a todo momento, alguns se machucam, médicos aparecem, médicos correm… e médicos brigam! Em um determinado momento da partida parte do público presente sai correndo em direção ao campo para ver o que estava acontecendo, e quando chego lá, sim… uma briga de médicos das duas equipes, mas como cheguei tarde, a turma do deixa-disso já tinha feito o serviço e as coisas estavam acalmando.
Final de jogo! 1 x 0 pra burrinha, com gol de Caconde, e como destaque da partida… Capone! Para quem não sabe, ele foi jogador do Grêmio em sua lamentável campanha de 2004, suspeito de ter participado do episódio da poltrona 36.
E minha conclusão: Vila Belmiro que nada, o templo do futebol santista está na Pinheiro Machado 240!!!