Seu Sisnando
Meus pais sempre foram muito ligados à s suas respectivas famÃlias. Sempre convivi com meus avós. Por uma questão de proximidade, eu sempre convivi mais com meu avô materno, que mora no estado de São Paulo, como eu (minha avó materna não cheguei a conhecer). O que não impediu, de maneira alguma de nutrir um grande amor pelos meus avós paternos, que moram no interior do estado da Bahia.
Minhas memórias de infância e adolescência são marcadas pelas viagens, quase que anuais para lá, onde passava um bom tempo conhecendo novos parentes, visitando novos lugares, e passando um tempo com os avós. São momentos em que a gente guarda pra sempre. A descrença do meu avô com a ida do homem à Lua, a impaciência da minha avó, sempre misturada a uma certa doçura e um grande amor, o meu avô tratando meu pai (hoje de 66 anos) como o “seu menino� de 3 anos, da discussão daqueles 2 simpáticos velhinhos, por causa de ciúmes.
Com uma calma ao falar qualquer coisa, inclusive as que mais o indignavam, estava lá o seu Sizenando. Falando do “seu menino� que foi para a roça sem chapéu, pra falar da incompreensão de alguém ficar meia hora em um orelhão, ou para simplesmente falar sobre o neto mais revoltado que não lhe pedia a benção (que não era eu). Era uma serenidade que parecia estar acima de tudo.
E ele aos 97 anos, se vai. O tempo traz doenças, e as mesmas são implacáveis com um corpo que tanto viveu e tanto lutou. O senhor deixará saudades, ‘Vô Sisnando‘, tenha certeza.
Não costumo falar muito de detalhes meus aqui, mas senti a necessidade. Obrigado cada um que leu :(

