Pat Robertson, Zilda Arns e a Idolatria?

Pat

Bom, acho que todos já sabem do que aconteceu no Haiti terça feira, um tremor que atingiu o país e causou um desastre incalculável. Segundo o presidente do Haiti, cerca de 7000 foram enterrados, até a noite desta quinta-feira.  Algo trágico para um país com um povo já ferido pela miséria e pelas guerras e conflitos pelo país.

E logo após este ocorrido, Pat Robertson, líder religioso norte americano, ex-candidato à presidência da república dos EUA e idealizador do clube 700, argumenta que o Haiti foi amaldiçoado por ter feito um pacto com o diabo para conseguir a independência da França. Esta não é a primeira declaração doentia, e sem o menor teor cristão (e sem o menor senso do ridículo) deste sujeito. Em 2005 ele sugeriu que o presidente Venezuelano Hugo Chávez fosse assassinado. Sim, coisa fina, exalando o mais puro amor cristão não é?

E enquanto tele-evangelistas divulgam supostas pragas de origem divina, em um momento delicado e triste para a história de um país inteiro, ao invés de ajudar (e incentivar seus seguidores a ajudarem) um povo que quadruplicou seu sofrimento, pessoas estavam lá para fazer algo por lá. Uma delas, Zilda Arns, idealizadora da Pastoral da Criança, estava no Haiti em missão humanitária, preparando uma palestra sobre a organização na Conferência dos Religiosos do Caribe. E foi vítima do terremoto que atingiu o país.

Zilda Arns mostrou que é possível sim ser Igreja, e conciliar a Palavra e ações. Mostrou o que é agir “para fora” sem as baboseiras liberais que se afloram de uma maneira cada vez mais bizarra. Mostrou que não é preciso vender bíblias de prosperidade financeira por 900 Reais. Que um jatinho particular não é essencial para fazer a Obra de Deus.

Ah sim, falta a parte de vir gente falando que ela é da ‘maléfica malvada mafiosa igreja católica apostólica romana’, que eles são idólatras, etc. Ok, antes de vir com estas coisas, só me responda qual é a diferença da idolatria de imagens para a idolatria ao dinheiro e ao poder e às coisas materiais, praticada diariamente por vários líderes religiosos no mundo. A idolatria ao poder, ao ego, o que causa a indiferença ao sofrimento do próximo, o distanciamento da comunhão com Deus, e pra completar, usar o nome dEle para proferir tais idiotices em rede mundial.

Lembre-se que não vai existir igreja perfeita por aqui, Igreja é formada por pessoas, e desculpa aí, pessoas não são perfeitas. E já dizia Paulo, vede todas as coisas e retém o que é bom! Se limitar ao seu mundinho e à sua plaquinha de igreja fará você ter muitas surpresas no futuro.

Enfim, como disse a Bráulia Ribeiro no seu twitter: “Que os não cristãos hoje julguem a fé cristã não pelo que diz Pat Robertson, mas pelo que viveu Zilda Arns.”

Bom, este foi meio que uma forma q encontrei pra mostrar que discordo destas maluquices desse cara que, infelizmente, carregando o título de ‘pastor’, acaba falando em nome de um monte de gente que discorda radicalmente de tais besteiras.

Update

Discurso  da Zilda Arns no Haiti está disponível aqui (em espanhol) 

O ódio cult

Para você poder pagar uma de intelectual, e fazer média com a geral, existem várias alternativas: Virar fã de Los Hermanos, Legião Urbana e colocar uma aura de superioridade nestas bandas, ser um ateu militante que cita Dawkins a todo momento, na maior vibe tele sena (de hora em hora), ou ainda, se você for um cristão, virar um fiel adepto do liberalismo teológico e ainda por cima batalhar contra a igreja institucional.

São alternativas bacanas, mas não tão bacanas quanto a principal alternativa do início do ano: declarar ódio ao Big Brother Brasil.

Não, não estou generalizando. Simbora explicar:

Eu não curto esta pocilga. Só gera umas gata random, que vão topar uma infinidade de bizarrice para aparecer na televisão. Um simples ‘não gostar’ não dá o ar completo de cult ao sujeito. É preciso ir além.

Veja o BBB como o causador da alienação, da corrupção, da miséria, da fome, das guerras e da violência no Brasil. Afinal, foram as embarcações lusitanas que trouxeram a Endemol para cá a fim de produzir o primeiro BBB, trazendo assim uma onda de violência e miséria ao nosso país.

Acredite realmente que declarando ódio ao BBB você estará sendo um ativista cultural, defendendo a cultura brasileira, valorizando a arte nacional através de uma atitude simples e mágica! Você declara ódio a novela? Desculpa, a onda agora é outra, vamos falar mal de novela só no segundo semestre!

Afinal, temos grandes exemplos de pessoas que passaram a abominar o Big Brother e hoje tem uma grande formação acadêmica e cultural! Uma atitude tão simples que ninguém nunca parou para pensar!

Este é um grande passo para ser um PIMBA de primeira!

BBB, novelas, futebol, partidos políticos, religiões,  música, COM QUALQUER COISA, CAMPEÃO, um ser humano pode se alienar. Botar culpa num programa bobo qualquer pelos problemas do país é um raciocínio meio bizarro, mal aí.

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